Project Zeros
Founder Tales

EP 110 · Founder Tales · 58 min · PT

As técnicas para competir contra gigantes

Miguel Vieira — Founder e CEO da Deepbond

Jul 7, 2026

Sobre esta conversa

Miguel é founder e CEO da Deepbond, uma dating app portuguesa lançada em 2023 focada deliberadamente em quem procura relações sérias e compromisso duradouro. Antes disso, trabalhou anos como engenheiro de software e depois como Product Manager, uma transição que o ensinou a pensar em valor real para o utilizador em vez de beleza técnica.

A Deepbond nasceu de frustração pessoal. Miguel usava Tinder e Bumble, conversava com amigos, e todos descreviam o mesmo problema: muitos matches, conversas superficiais, raramente resultava em relações de verdade. Investigou estudos sobre dating online e descobriu que a saturação era global. O modelo do swipe — decide rápido ou vê o próximo — criava decisões precipitadas baseadas em fotos. A app concorrentes gigantes — Match Group detém 40+ dating apps — mas Miguel identificou um nicho: quem quer algo sério estava disperso e frustrado entre apps generalistas.

O mecanismo central é os deal-breakers. Antes de qualquer match, ambos os utilizadores respondêm a questões críticas: quer ter filhos? Fuma? Procura compromisso? Se a pontuação de compatibilidade de um em relação ao outro fica abaixo do mínimo que a pessoa definiu, não há conexão. Isto obriga o utilizador a pensar no que realmente quer — não é automático — e filtra incompatibilidades antes de investir tempo. O resultado: 90% das conexões têm conversa (em vez de muitos matches mudos no Tinder), mais de 25 mil utilizadores, mais de 34 mil conexões, 1,3 milhões de mensagens. Uma métrica invulgar que Miguel acompanha: quando pessoas deletam conta, pede motivo. A maioria não é por produto fraco, mas por falta de utilizadores — o problema clássico das dating apps é efeito de rede.

A distribuição é o desafio real. Miguel passa 80% do tempo em marketing e canais, 20% em produto. Tentou expandir para Reino Unido, acabou por gastar 15 euros por utilizador em publicidade — em Portugal custa menos de 50 cêntimos. Aprendeu caro que mercados europeus competitivos são ineficientes. Agora aponta para Europa de Leste (Polónia tem dating culture forte e custos de aquisição viáveis). A Deepbond é sustentável — runway de mais de um ano com receita de subscrições — mas precisa de escala. A visão: ser número um em Portugal primeiro (50 milhões de mercado anual, 500 mil utilizadores ativos em dating apps), depois sair para mercados seletos. Tem três anos para atingir a reforma aos 40; o plano é construir algo viável e talvez vender para um player maior que possa dar continuidade.

Miguel defende intencionalidade humana em tudo. Recusa a tendência de AI conversar com AI (Bumble estuda isto): se o resultado de uma relação é inerentemente humano, o processo também tem de ser. O erro, errar, aprender — parte disso é valor.


Miguel Vieira é founder e CEO da Deepbond, uma dating app portuguesa focada em quem procura relações sérias. Com mais de 25 mil utilizadores e passado profissional como software engineer e product manager, Miguel decidiu criar uma alternativa ao modelo do swipe que domina o mercado — um modelo que, na sua visão, promove quantidade em vez de qualidade e gera frustração generalizada.

Nesta conversa, Miguel explica como a Deepbond se diferencia: scroll em vez de swipe, deal-breakers obrigatórios que filtram incompatibilidades logo à partida, conversas com prazo de cinco dias para evitar acumulação sem propósito, e uma experiência desenhada para favorecer decisões ponderadas. Discutimos também o desafio de competir com gigantes como o Match Group, as métricas que realmente importam (90% das conexões geram conversa), e o dilema de qualquer dating app baseada em subscrição: quanto mais sucesso tens, mais depressa perdes clientes.

Miguel fala ainda da dificuldade de levantar capital em Portugal para B2C, dos custos astronómicos de entrar no Reino Unido, e da tentação — e do risco — de tentar escalar demasiado depressa. Uma conversa concreta sobre produto, distribuição, e o que significa construir uma empresa numa área onde o Match Group compra qualquer concorrente promissor.