Project Zeros
Founder Tales

EP 109 · Founder Tales · 69 min · PT

"Não fazemos pilotos nem vendemos tokens"

João Pedro Almeida — Co-founder e CEO da Noxus

Jun 29, 2026

Sobre esta conversa

João Pedro é co-founder da Noxus, uma plataforma que ajuda grandes organizações a redesenhar processos operacionais usando agentes de IA. Começou em fintech, mudou-se de Londres para Portugal durante a pandemia, e hoje trabalha com clientes enterprise em Portugal e Reino Unido — com uma equipa de quatro founders espalhados por fusos horários.

A história tem raízes em decisões técnicas muito concretas. A Noxus nasceu de um projeto inicial de content creation para clientes enterprise, mas João Pedro e a equipa perceberam dois problemas: primeiro, a dificuldade de escalar pipelines de IA em infraestruturas legacy sem quebras; segundo, e mais importante, que a maioria do trabalho não era codificar, era convencer pessoas dentro da empresa a mudar a forma como fazem as coisas. Ou seja, a "lógica de negócio que vive dentro da cabeça das pessoas tinha de sair para fora."

O modelo de negócio reflete essa aprendizagem. A Noxus não vende consultoria pura, nem oferece serviços boca à boca tipo Palantir. Em vez disso, coloca engenheiros no cliente durante o projeto inicial — para mapear, desenhar e treinar equipas internas — e depois funciona como plataforma onde esses "process analysts" constroem e mantêm processos contínuos. O crescimento real vem através de parceiros consultores que já conhecem os clientes e verticalizem a solução melhor.

Um detalhe duro: em Portugal, o problema não é só técnico. Grandes empresas portuguesas estão abertas a conversar com startups, mas vivem orientadas ao corte de custos, não ao crescimento. Os procurements demoram, os shareholders querem eficiência imediata, não transformação. João Pedro é claro: "Tens empresas que não estão a olhar para oportunidades de crescimento. Estão a pensar: como posso otimizar o que tenho, em vez de: como posso escalar." O Reino Unido tem mais potencial porque uma empresa que factura 200 milhões lá consegue justificar mais investimento que uma portuguesa com 500 milhões.

Há uma tese sobre o futuro que emerge da conversa: a próxima onda tecnológica que todas as empresas vão ter de ter é a capacidade de manter processos operacionais inteligentes e adaptáveis — sejam chamados de "AI agents" ou outra coisa qualquer. Mas isso não vai levar a "uma pessoa e um milhão de agentes". As organizações continuarão a ter estrutura porque a accountability é inescapável — legal, cultural, humana. O que muda é que vão precisar de pessoas que entendam processos, não apenas código.

João Pedro recusa subsidiar clientes com custos de tokens. Prefere que vejam exatamente o que pagam, por quê, e qual é o retorno. Quando o mercado contrai — e contrai sempre — as organizações cortam tudo o que não tem ROI claro. Intencionalidade vence ruído.


João Pedro Almeida é co-fundador e CEO da Noxus, uma plataforma que ajuda grandes organizações a repensar os seus processos internos numa lógica agêntica — onde AI agents, humanos e sistemas legacy trabalham em conjunto. Com clientes em Portugal e no Reino Unido, a Noxus não vende automação pontual: vende a reconstrução de processos operacionais complexos, guiada por process analysts que vivem perto das áreas de negócio.

Neste episódio, João explica porque é que a Noxus não faz pilotos, porque escolheu não vender modelos aos clientes, e porque é que o maior bottleneck em enterprise AI não é técnico — é político. Falamos de como é vender a grandes empresas em Portugal versus no Reino Unido, da diferença entre plataforma e serviço, e da tese de que os agentes não vão substituir pessoas, mas vão exigir um threshold de competência técnica muito mais alto.

Uma conversa sem hype, sem sci-fi a 50 anos, e com muita clareza sobre o que é preciso para sobreviver o tempo suficiente até construir uma generation company: pessoas ultrainteligentes e não morrer.