André Flórido trabalha na Antler, um fundo de capital de risco global que opera de forma não-convencional: em vez de avaliar empreendedores em três reuniões de comité, passa 12 semanas com eles dentro de um programa intensivo. Começou a carreira em banca de investimento, passou por uma startup de apostas desportivas e por um departamento de inovação numa multinacional de vinhos antes de se juntar à Antler em Portugal este ano.
O modelo da Antler começa do zero: aceita 40 fundadores por programa, alguns sem equipa, alguns sem ideia. Nas primeiras semanas há workshops, team challenges, sessões de ideation. As equipas formam-se organicamente. Depois recebem um coach e 12 semanas de trabalho prático até ao pitch final. Do funil de 2 mil candidatos, aceitam 80 pessoas, que resultam em 35 a 40 empresas. Desse grupo, investem em 10 a 15.
Porque funciona assim? Flórido é claro: "Enquanto VC de early stage, aquilo que mais precisamos é informação." Um pitch deck e três reuniões deixam muitos buracos. Doze semanas vendo como a pessoa trabalha, como reage ao fracasso, se é um "empreendedor turista" ou alguém que acredita de verdade—isso é informação que vale ouro. O risco maior do VC não é um mau investimento; é deixar passar uma empresa que viria a ser um unicórnio. O programa reduz esse risco.
O investimento é standard: 145 mil euros brutos (100 mil líquidos) por 10% de cada empresa. Significa dizer a uma equipa de 12 semanas: "Acreditamos que vocês valem 1 milhão agora. Queremos ajudar-vos a valer 10 daqui a um ano." Depois do programa, a Antler continua a apoiar as startups para levantarem uma segunda ronda com outros VCs da sua rede.
Flórido próprio é um exemplo de como mentores e oportunidades valem mais que dinheiro ou títulos: começou obsessionado com banca de investimento, viu em Silicon Valley que os melhores resultados em VC vêm de operadores (fundadores, não analistas financeiros), e pivot para startup. Depois de BetMarkets falhar—por razões de liquidez que explicita com clareza—regressou a Portugal com a bagagem necessária.
O grande conselho que deixa é simples: esqueçam títulos e salários. Escolham mentores bons, porque são eles que vos ensinam como não fazer as coisas, e aí vêm as portas.
Depois de uma pausa para umas merecidas férias voltamos com os episódios de Founder Tales, o podcast que vos transporta ao backstage das startups portuguesas e conta as histórias dos seus founders.
Este episódio conta com o apoio da Offcoustic, uma empresa que disponibiliza um serviço de subscrição para cabines acústicas e que tem como objetivo criar espaços para chamadas confortáveis. Mais info em https://www.offcoustic.com
Neste episódio falamos com o André Flórido, VC na Antler. A Antler não é uma VC convencional - funciona mais como uma incubadora + investidora. Têm um programa de 12 semanas em que os empreendedores se inscrevem e passam por uma série de fases importantes até criarem e validarem uma startup. No final do programa, são avaliados por um comité de investimento e podem mesmo receber €1M para arrancarem com força. Para além disso, o André já foi founder, fundou a Betmarkets, uma eToro para apostas desportivas. Ele explicou-nos como começou e quais os desafios de atuar num mercado tão regulado como o das apostas desportivas. Finalmente, integra também o grupo de Young Advisors à Presidência da República - um grupo de jovens que faz aconselhamento ao Presidente da República sobre os mais variados temas. Edição: Gabriel Bueno (https://www.linkedin.com/in/gabriel-buenos/)
Links: Comunidade: https://chat.whatsapp.com/LWFpUB0QcjZIvzCuqf4U7G Patreon: https://www.patreon.com/foundertales André Flórido: https://www.linkedin.com/in/andreflorido/? Antler: https://www.antler.co Álvaro Samagaio: https://www.alvarosamagaio.com Diogo Malafaya: https://www.malafaya.com Founder Tales LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/foundertales/ Founder Tales Instagram: https://www.instagram.com/foundertalespodcast/ Founder Tales Twitter: https://twitter.com/FounderTalesPod Founder Tales TikTok: https://www.tiktok.com/@foundertales